terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Até logo... ou nunca mais

Há seis meses não posto nada aqui, então não fica difícil imaginar o que vim fazer aqui hoje... o óbvio é claro: dizer Tchau, ou xau, como queiram. O fato é que falta tempo, disposição, enfim...

Sempre achei que um bom blog deveria ter regularidade, e se teve uma coisa que este ciberespaço nunca teve, foi a tal da regularidade. Vendo por esse ponto, acabo de dizer que este blog nunca foi bom, e talvez essa seja mesmo uma verdade, mas é verdade também que sempre procurei compartilhar aqui textos e assuntos de que gosto de opinar ou julgo interessantes. Talvez tenha conseguido, talvez não. O que sei, é que consegui o que queria quando criei isso aqui: desenvolver minha escrita, e me expressar sobre as coisas que tenho vontade.

É fim de ano né, natal aí, ano novo também... férias... aquela hora que a gente para pra avaliar o que passou e faz novos planos. 2011 foi um ano bem bacana pra mim. Começou cheio de incerteza e termina cheio desafios vencidos. Ano de muito aprendizado jornalístico, afinidades que ressurgiram, Rock in Rio, Sampa... muita coisa boa mesmo, nem dá pra reclamar.

Do Noel e do novo ano que está para começar eu quero paz, amor, alegria, sabedoria, saúde, sucesso... tranquilidade no TCC que vem aí, dinheiro, meu Mengão campeão de tudo (sei que é difícil, mas eu fico feliz só com o título do Brasileirão), uma Seleção brasileira com cara de Brasil, com time decente, para eu poder torcer de verdade (apesar de nunca torcer contra), mais paciência e futuro profissional encaminhado quando a faculdade acabar... acho que é só, e já está mais que bom, né?!

Como você pode perceber, 2012 promete muita correria e mudança, e por isso mesmo não quero ter a obrigatoriedade de manter isso aqui sempre atualizado, porque sei que não vou ter tempo pra isso - até porque eu pretendo escrever um livro reportagem sobre o futebol capixaba, e isso vai tomar um tempo danado - então, fica combinado o seguinte: volto aqui quando der e quando eu tiver vontade... pode ser daqui uma semana, um mês, um ano... eu volto, só não sei quando.

Até logo, ou nunca mais... 

E obrigada.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Maravilhas cibernéticas

Nem só de mamilos polêmicos sobrevive a internet. E que bom que é assim. A liberdade da rede coloca ao alcance da nossa mão coisas maravilhosas, e desastrosas também. Numa procura simples, mas com olhar atento, dá pra encontrar muita coisa bacana.

Eu já quis escrever sobre isso antes. No fim de maio, quando "A banda mais bonita da cidade" deixava de ser bonita só nos arredores de Curitiba, e passava a ser linda em todo Brasil (e também fora dele), graças a internet, eu tive vontade de escrever sobre o assunto, mas tinha preguiça também. Agora, a vontade de escrever sobre essas maravilhas cibernéticas musicais renasceu quando vi e ouvi o clipe "Não trocaria um sorvete de flocos por você", da banda Soulstripper. O que as duas bandas, que são de gêneros musicais diferentes, têm em comum? O simples fato de que eles fazem MÚSICA - assim em caps lock - e não barulho ou comércio.

Por um tempo, achei que esse País, que já revelou talentos como Gil, Tim, Renato, Cazuza, Cássia, Tom e tantos outros, já não era mais capaz de fazer boa música. E que bom, que eu estava errada. Músicas ruins tem aos montes, é verdade. E pior, tem quem goste delas e insista em dizer que são boas músicas. Restart é rock, dirão os fãs alucinados. Não, não é tolinho. É um barulho sem sentido e desafinado, de gente que veste roupa colorida pra chamar atenção e canta por fama e dinheiro, e não porque gosta e entende de música. Se você gosta de Restart, tudo bem, paciência, o gosto é teu. Mas, por favor, não insista em dizer que eles fazem boa música, e que cantam rock, ok?!

No som alto do carro, o sujeito dirige ao som de "créuuuuu, créuuuu". Teria ele, capacidade de executar o que diz a música? Isso é funk, dirão alguns bestões. Se você acha, o que eu posso fazer?! Mas funk pra mim é outra coisa. Enfim... vamos pular essa parte...

Ainda há talento musical nesse Brasil! Que bom! A banda mais bonita da cidade e o Soulstripper estão aí para provar isso. "Oração" é simplesmente mágica, perfeita. Uma música que fala de amor sem ser piegas demais, e que tem letra bacana, e mesmo assim capaz de ficar na cabeça. Quem foi que disse que só música ruim fica martelando por horas na cabeça? Escuta o vídeo ali em baixo, e eu duvido que quando terminar de ouvir, a sua cabeça não vai ficar repetindo "coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na despensa, cabe o meu amor..."

O plano sequência não é uma invenção da banda, mas foi um sacada genial. E o que é mais bacana: a alegria do clipe não é fingida, é sincera. Fica claro ali, que aquelas pessoas cantam porque sabem e gostam. Ninguém catou pensando só no sucesso, fizeram porque gostam, porque se sentem bem fazendo música. Ali estavam amigos que tem na música sinônimo de diversão. Pessoas com formação musical, com veia artística. Cientes do que fazem, do que cantam. Sem muita preocupação com dinheiro e fama. Focados em se divertir, em cantar coisas bonitas e de qualidade. "Oração" é perfeita.

Os paulistas do Soulstripper fazem um rock com levada punk adolescente, que é super bacana. O som meio retrô, que lembra as músicas dos anos 60 e os sucessos da Blitz, é extremamente divertido. A melhor definição vem da própria banda, que já fez cover do Kiss e do AC/DC: "é rock de menino pra menina". O sucesso da banda, "não trocaria um sorvete de flocos por você" é singela e divertida, uma maravilha. A genialidade do clipe está no fato de que os protagonistas são crianças, e não atores mirins. São crianças comuns, que estão super a vontade no clipe. É fantástico ver o garotinho super a vontade sentado na caixa de som, com meias brancas nos pés - e numa outra ótica é como se ele dissesse: "música é diversão, tô me divertindo e não procurando dinheiro". E a menina é linda, uma fofa.

Pode ser que até o final do ano, A banda mais bonita da cidade e o Soulstriper percam a fama, que na internet - quase sempre é passageira - mas dificilmente vão perder a qualidade musical e o prazer que sentem em cantar. Enquanto isso, o sucesso de Restart deve perdurar por mais tempo, mas qualidade musical não há desde o princípio. Isso é tão ridículo, que chega a não fazer sentido. Mas, é assim que as coisas são.

A internet revela sucessos numa velocidade incrível, o que faz com que amanhã, outro sucesso ultrapasse esse, e passe então a ser o melhor do momento. Aquele que foi ultrapassado perdeu a qualidade? Não, apenas surgiu outro que também tem qualidade, é que agora tem a seu favor o maior trunfo da rede: a novidade.

Mas esse mundo cibernético tem também outras vantagens. Hoje em dia, ninguém precisa mais correr atrás de uma gravadora, basta jogar na internet. O público é quem vai dizer se o que você faz é bom ou não, e como diz o velho ditado "a voz do povo é a voz de Deus". Mas vale lembrar, que como tudo, depende é claro, do público que você deseja atingir.

Está tudo na rede. Você gostou? Faça o download! Isso é fantástico! Mas também tem problemas, que não vou discutir aqui agora.

Os últimos sucessos musicais da rede são verdadeiras maravilhas cibernéticas, muito mais dignos de  atenção da grande mídia, do que aqueles que vão à TV fazer barulho e cantar coisas sem nexo e conteúdo.
Um viva, para quem tem talento de verdade! Boa música é isso!





quarta-feira, 6 de julho de 2011

Há... o amor

Na flor que desabrocha
na inocência sincera de uma criança
sim, ele está lá. Talvez em baixo da mesa.


                                                        No abraço apertado
num beijo roubado
num sorriso espontâneo
brincando de pique-esconde, na noite escura
desviando das sombras e arbustos
sim ele está lá. E você não vê.

Na lágrima que insiste em cair
nas mãos tremulas de medo e ansiedade
no olhar curioso de um garoto travesso
pode ser que você não acredite, mas ele está lá.

Num esporro de mãe
no carinho amigo
na cumplicidade de um irmão
na esperança por dias melhores
já encontrou-o?

Sim, ele está lá. Ali, e acolá
ele pode estar do seu lado
e você ingênuo, cegueta, não vê
ou finge que não vê - o que é ainda pior
muda de rota só pra não esbarrar com ele
tem a desculpa na ponta da língua: - quero evitar o sofrimento

Tolinho. Ele continua lá, ou ali, quem sabe?
Não adianta fugir, tentar enganar 
ele está em toda parte, acredite.

Ele está dentro de você. Ainda não viu?
Ignora pra que?
Bem ou mal, sofrido ou não
goste ou duvide
é ele quem move o mundo e a vida.



PS: esse humilde ciberespaço estava abandonado há mais de um mês. E não, dessa vez não vou pôr a culpa nos afazeres da faculdade, ou na falta de tempo devido o novo estágio. A culpa é da minha preguiça. Por muitas vezes, ao logo desse tempo, eu quis vir aqui escrever sobre muitas coisas - protesto em Vitória (eu tava lá, sei do que vi e não o que a TV contou), a despedida de Pet e Ronaldo (a do Pet foi de fazer inveja, ao grande Fenômeno, que merecia algo bem mais glorioso, mais digno), o sucesso da Banda Mais Bonita da Cidade (fantástico - há esperança, ainda tem música boa no mundo), comentários jornalístico e pessoais. Inspiração não faltou, faltou sim, coragem de levantar do sofá, pegar o computador e digitar tudo que fervilhava na minha cabeça. Hoje, cuspi aqui tudo que brotou na nela durante um banho quente demorado, nesses dias de frio. Não quero parecer metida a poeta, ou coisa parecida, mas fiquei com vontade de expor isso aqui. Gostem, ou detestem, fiquem a vontade!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Só de sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta a prova? 
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. 
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro. Que reservamos duramente 
pra educar os meninos mais pobres que nós, 
pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. 
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. 


Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? 
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? 
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, 
mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.


Meu coração tá no escuro. 
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó 
e todos os justos que os precederam. 
'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. 
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar!
Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, 
sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! 
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear!
Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!


Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!
E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. 
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' 
Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. 
Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal


Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!


Em Tempo: quando o tempo é curto e a criatividade pouca, o melhor a fazer é postar algo alheio e compartilhar o que leio, ouço e vejo por aí, com vocês. Esse belíssimo e sincero texto é de autoria da capixaba Elisa Lucinda, poetisa, jornalista, cantora e atriz. O presente texto também pode ser escutado na voz da ótima Ana Carolina. No CD Ana and Jorge, gravado junto com Seu Jorge, Ana Carolina proclama o texto, antes de cantar Brasil Corrupção, parceria com Tom Zé.

 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eu cresci de acordo com seus planos?

Nunca tive ídolos. E também nunca acreditei em super-heróis. Sempre achei essa coisa de pessoas com super poderes, sempre com boas intenções e preocupadas com o outro, um tanto irreal demais. Nem mesmo na infância, quando muita gente acha que tem um super-herói dentro de casa, eu caí nessa história. Meu pai nunca teve super poderes, que bom!

No auge do seus cinquenta e poucos anos, meu pai se quer tentou ser meu herói por um dia. Apesar das diferenças, o velho (sem perceber) muito me ensinou, e eu aprendi a admirá-lo com o tempo, embora jamais tenha lhe dado o status de herói. A verdade, é que embora eu custe a admitir, pareço mas com meu pai do que gostaria, ou do que deveria, pelo menos.

Nunca fui ao estádio de futebol com meu pai, nem mesmo para ver jogo de várzea. Mas é sem dúvida por influência do cara que eu amo o futebol. E é também por causa dele, ou melhor, para contrariá-lo (eu acho) que sou flamenguista desde criança. Papai é mais um sofredor nesse mundão de meu Deus. Meu pai é Vascaíndo (risos). No entanto, a primeira camisa do Mengão foi seu Josias, ou o "Ferrugem" para os mais íntimos, quem me deu. A conquista do manto foi resultado de uma oposta, que ele perdeu, mas só cumpriu depois de muita cobrança. 

Muito do meu gosto musical também é culpa dele. Na vitrola lá de casa só tocava o melhor do rock, do samba e da MPB. Meus ouvidos cresceram afinados com a boa música, embora ele nunca tenha me presenteado com um disco, ou um CD qualquer. E a paixão por literatura? Culpa do velho, é claro. Meu pai não terminou o segundo grau, mas sempre gostou de ler. Inteligente, ele certamente já leu quase todos os clássicos da literatura nacional. O que não quer dizer que ele não tenha lido também, bons livros da literatura internacional. 

Quando optei por cursar jornalismo, não entendia muito bem de quem eu tinha herdado o gosto por escrever. E adivinhem? Meu pai nunca desejou ser jornalista, e durante muito tempo achou que eu tinha escolhido a profissão errada. Por gostar de esportes, ela achava que eu deveria ter cursado Educação Física, e levou um certo tempo até ele entender que eu gostava de praticar esporte, e não de ensinar os fundamentos para um grupo de crianças. Qual foi a minha surpresa, quando um belo dia, ao vasculhar as gavetas lá de casa, encontrei uma dezena de textos... poesias, crônicas, textos biográficos... tudo de autoria do velho. Levou tempo, mas ele entendeu que eu não tinha errado na escolha.

Em resumo, não tive um pai presente, que vivenciou comigo todos os momentos relevantes da minha vida. Mas tive e tenho, um pai que nunca me disse que caminho seguir ou que decisão tomar. Ele apenas fez o simples e o necessário: me mostrou as opções e me permitiu escolher, mesmo sabendo que minha escolha, por vezes, não seria a que ele desejara. Com seu jeito egoísta e por vezes arrogante, ele sempre defendeu que não era preciso me ensinar nada, porque assim como ele, eu era capaz de aprender sozinha qualquer coisa que eu quisesse. Se a tese é verdadeira, não sei dizer. Mas o fato é, que mesmo sem querer me ensinar o que quer que fosse, ele me ensinou e me ensina muito. 

Espero ter me transformado na pessoa que ele sonhou quando, mesmo sem super poderes, me deu o poder de escolher. E sinceramente, eu escolho não me importar em agradá-lo. Afinal, maldita a hora em que ele me deu o poder da escolha, né?!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Brasília da 'Turma da Colina'

Não é segredo que eu me amarro em Legião Urbana. O último post foi sobre a banda,  e desta vez não há motivo para eu me estender no assunto, mas preciso compartilhar com vocês a novidade que deve chegar as telonas no próximo semestre.


Pouca gente conhece, de fato, a história da Turma da Colina. Foi em Brasília, sobre o comando de Renato, Fê e Flavio Lemos, Felipe Seabra, Dinho Outro Preto, Dado, Bonfá e companhia que que o Rock nacional ganhou cara nova. Sim era rock. Rock com cara de Brasil. Rock de Brasília. Essa turma mudou o cenário do Rock nacional, e agora vai virar documentário! "Rock Brasília, Ninguém Segura Essa Utopia", é novo longa do cineasta paraibano Vladimir Carvalho. Quem gosta de música e se interessa pela história do país, tem obrigação de assistir! Eu já estou louca pra ver!

Mas enquanto o longa não chega as salas de cinema e as locadoras, você pode saber mais sobre o filme e ver o primeiro teaser AQUI.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

TOP 10 - Legião Urbana

Inauguro hoje uma nova modalidade na categoria música. Vou escolher, de acordo com a letra, a melodia e o contexto histórico as 10 melhores músicas (na minha opinião) de algumas bandas e cantores brasileiros. Para começar, o rock brasiliense da banda que um dia recebeu o nome de Aborto Elétrico. Não demorou muito, Renato Russo mudou o nome da banda e conquistou o Planalto Central, o Brasil e o mundo.

Os encartes dos discos da Legião sempre trouxeram na última página a frase "Urbana Legio Omnia Vincit", que caracteriza bem a banda. Renato, Bonfá e Dado venceram o tempo e o espaço, e eternizaram canções, que após mais de 14 anos do fim da banda, permanecem atuais. Em meio aos nove álbuns e a mais de 100 clássicos, foi difícil escolher as 10 melhores canções.

1. Perfeição - Fazendo jus ao nome, Perfeição é simplesmente perfeita. Ninguém, além de Renato, foi capaz de cantar e interpretar tão bem todas as desgraças da realidade brasileira. Faixa 4 do disco "O Descobrimento do Brasil", Perfeição não descreve somente a realidade dos anos 1994, com o fim da Era Collor, mas também a realidade atual, quase duas décadas depois do lançamento do álbum. Em uma única canção Renato consegue falar do egoísmo dos seres humanos, das suas dificuldades, de esperança e das tragédias diárias. Ao final, ainda sobra tempo para Renato ridicularizar o ouvinte que cantou junto com ele, e como se cuspisse na nossa cara diz: "Já que também podemos celebrar a estupidez de quem cantou essa canção". A guitarra de Dado e a bateria do Bonfá fazem dessa, a música mais acelerada de um álbum pop, com canções mais lentas e por vezes melódicas. De quebra, a batida ainda dá o tom de protesto que a música precisa.

2. Faroeste Caboclo - O rock cordel com a cara do Brasil vai virar filme. A saga de João de Santo Cristo, composta por Renato Russo em 1979 – na fase "Trovador Solitário" do cantor – alcançou popularidade em 1987, depois de ser incluída no disco "Que país é esse?". Apesar dos 159 versos e dos 9 min e 30 segundos de duração, Faroeste Caboclo foi a "música mais pedida" nas rádios FM do Rio de Janeiro em 87. Um período em que a Ditadura militar só liberou a música para radiodifusão depois que os palavrões foram substituídos por um sonoro piiiiiiiiiiii. Como censura é burrice, a história de João de Santo Cristo faz sucesso até hoje. Sobre Faroeste Caboclo, Renato disse uma vez que "brasileiro adora contar história. E eu também queria imitar". E imitou muito bem, diga-se. Talvez pelo fazer jornalístico que Renato um dia exerceu, ele sabia reconhecer, criar, contar e musicar histórias como poucos. Faroeste não é um clássico por mero acaso. 
 
3. Pais e Filhos - De maneira simples Renato canta todos os detalhes daquela que é, sem dúvida, a relação mais complexa do mundo. Da escolha de nossos nomes até a nossa vontade de fugir de casa, passando pelo nosso arrependimento que nos obriga a voltar e pedir colo de mãe e de pai também. Embora muitos não percebam, Pais e Filhos é uma música sobre suicídio - "Ela se jogou da janela do quinto andar". Um dos maiores clássicos da banda, a faixa 2 do disco "As Quatro Estações" chama mais atenção pelo romantismo da letra que pelo som. Aliás, o 4º álbum da Legião Urbana procurou compensar a perda de sonoridade causada pela saída de Renato Negrete com letras mais poéticas. O primeiro álbum da banda lançado em CD é dedicado ao amor, e isso fica claro na letra de Pais e Filhos: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".


4. Love In The Afternoon - Quando Kurt Cobain morreu, em abril de 1994, os meninos da Legião Urbana, agora mais maduros, estavam no seu sétimo disco. Renato, Dado e Bonfá perceberam que a faixa 12 de "O Descobrimento do Brasil" se encaixava muito bem com a morte do vocalista do Nirvana. O ano de 94 marcava também a partida do maior piloto de F1 da história do Brasil, Ayrton Senna. Love In The Afternoon homenageava não só as duas estrelas que o mundo perdera naquele ano, mas conforme Renato já explicara "essa musica foi feita para todas as pessoas que foram embora cedo demais". Essa música foi feita por ele e também para ele, afinal, Renato era bom e assim como Kurt e Senna foi embora cedo demais.


5. Vinte e Nove - Mais uma de "O Descobrimento do Brasil". Vinte e Nove, tem no número que dá nome a canção o segredo da interpretação dessa ótima música, faixa 1 do sétimo álbum da Legião. Renato Russo sempre foi ligado em astrologia, fazia mapa astral de todos os seus amigos e sabia o signo das pessoas antes mesmo de saber o nome delas. A astrologia que Renato tanto admirava é a base dessa música. "O retorno de Saturno" citado na canção é um fenômeno astrológico em que Saturno demora cerca de 29 anos para percorrer sua órbita e voltar ao ponto em que se encontrava no dia do nascimento do indivíduo. Considera-se então, que os 29 anos marcam uma nova fase na vida de cada pessoa. Em 94, ano de lançamento do disco, Renato já tinha ultrapassado a marca dos 29 anos, mas passava por um momento de mudança determinante em sua vida. A dependência química obrigara o vocalista da Legião Urbana a ficar preso, internado em uma clínica de recuperação. Ele agora estava limpo, e exorcizava sua dependência cantando. Vinte e nove é uma música extremamente pessoal.


6. Meninos e Meninas - A faixa 9 de "As Quatro Estações" é outra canção pessoal. Renato, que sempre se sentiu o "patinho feio" da turma, escreveu essa música para um ex-namorado, conforme você pode ver no vídeo. Nos meses que antecederam a sua morte, em 1996, Renato dizia com frequência: "Mãe, eu não sou daqui".  Anos antes, ainda no início da banda, o vocalista da legião dissera em entrevista: "O Brasil é um país, que não é uma nação. Onde a vítima é ré, e não se respeita mulher, negro e homossexual". As mesmas opiniões estão eternizadas em Meninos e Meninas: "Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita, tenho quase certeza que eu não sou daqui". 


7. Clarisse  Excluída de "A Tempestade" por vontade do próprio Renato, que achou a canção pesada demais e teve medo que ela desencadeasse uma onda de suicídio, essa é uma das músicas mais depressivas e fortes da banda. Ao longo de seus 10 minutos, a faixa 5 de "Uma Outra Estação" conta a história de uma menina de 14 anos que tentava se matar. De letra marcante e melodia lenta e triste, Clarisse também fala muito do vocalista da Legião, que aquela altura (final de 1995 - meados de 1996, quando a música foi gravada) se preparava para o fim, e já não tinha mais esperança ou força para lutar contra o HIV. A doença que por muito tempo ele escondera da mídia e dos fãs, agora estava exposta nas suas canções de despedida e desesperança. 


8. Soul Parsifal - A faixa 8 de "A Tempestade ou O Livro dos Dias" é a despedida explícita de Renato. O HIV avançara e o vocalista da Legião estava cansado e sabia que era hora de parar, mas ele ainda tinha muito a dizer. E a melhor forma de dizer, era cantando. Renato não queria mais falar dos outros, dos problemas dos outros, queria falar de si mesmo, dos seus problemas, dos seus sentimentos. "Meu orgulho me deixou cansado. Meu egoísmo me deixou cansado. Minha vaidade me deixou cansado. Não falo pelos outros, só falo por mim. Ninguém vai me dizer o que sentir". Composta junto com Marisa Monte e tocada no teclado, Soul Parsifal é mais uma linda canção pessoal.


9. Metal Contra as Nuvens - A paixão da banda, em especial de Renato pelas estéticas medievais e pelo romantismo estão explícitas na faixa 2 do disco "V". A turnê do quinto álbum foi interrompida. O vocalista da Legião estava extremamente deprimido, o que aumentava seus problemas com álcool e drogas. Mas Renato queria se redimir, queria estar inteiro para os fãs. E então, a turnê para e o ícone da banda sai de cena para tratar sua dependência. Essa fase da banda e da vida pessoal do vocalista está descrita nas quatro partes de Metal Contra as Nuvens. Renato se tornava o próprio cavaleiro medieval que enfrentava tempestades e dragões, para terminar esperançoso e redentor. "Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração. Não aprendi a me render: Que caia o inimigo então". Outra longa canção da banda, essa faixa contou com a participação de mais de 40 músicos e arranjo de cordas de Eduardo Souto Neto. O som é belíssimo! Para terminar, a música ainda é seguida por outra ótima faixa do disco, a instrumental "A Ordem dos Templários". 


10. Metrópole - Por último, mas não menos importante, a faixa 7 do disco "Dois". Metrópole é uma música dos tempos de Aborto Elétrico e lançada em 86 no segundo álbum da banda. Mas observando a letra com atenção, a gente nota que pouca coisa mudou em mais de duas décadas. Ainda somos egocentristas e continuamos sorrindo ao ver o sofrimento alheio. A saúde continua uma merda e a burocracia segue como grande marca do nosso país. Assim como o clássico "Que País é Esse?", essa música permanece atual. No quesito sonoridade, essa é uma canção que talvez se encaixasse melhor no primeiro disco. É um punk rock típico dos primeiros anos  da Legião, diferente da maior parte das canções do disco que trocaram as guitarras pelo violão, e diminuíram o volume do som. Por sua atualidade, Metrópole não poderia ficar de fora dessa lista.


EM TEMPO: longe de estar apta a fazer uma boa crítica musical, procurei escolher não as 10 músicas mais famosas, mas as que no meu entender, se destacaram das outras por algum motivo característico. Muitas canções  de sucesso ficaram de fora da lista e deram lugar a outras menos conhecidas. Como no caso de "Que País é esse?" que deu lugar a "Metrópole". Não há nenhuma canção do primeiro disco, mas isso não foi proposital. Gosto e muito, do álbum "Legião Urbana", só que na hora de fazer o descarte de músicas elas acabaram ficando de fora, simplesmente porque eu gostei mais das outras. A Legião Urbana tem centenas de sucessos e não foi fácil, principalmente para uma fã, escolher só 10 canções. Daria, perfeitamente, para fazer mais três listas dessas! Clicando no nome das músicas, vocês podem escutá-las. Lembro que essa é uma lista pessoal, e o espaço está aberto para comentário e críticas, desde que feitos SEM OFENSA. Espero que gostem!